
O indulto “Black Friday” do Temer (80% de perdão da prisão e 100% de perdão das multas), que tinha endereço certo em favor das elites corruptas e bandidas já condenadas pelo Judiciário, acaba de ser suspenso em suas partes principais pela ministra Cármen Lúcia (presidente do STF).
A ministra Cármen Lúcia, quando o assunto não envolve diretamente algum tucano de penugem antiga, não se afasta da sua bússola ética nem da sua técnica jurídica.
Raquel Dodge mostrou independência no pedido de inconstitucionalidade do decreto presidencial. Ambas foram republicanas. Isso é o que a população espera das instituições.
Os pontos suspensos (do decreto de insulto) revelam desproporcionalidade (falta de razoabilidade). O presidente da República pode indultar pessoas. Na época do Natal isso já é tradição. Ninguém contesta fundamentadamente o indulto em si. O problema está no mau uso dele para favorecer apaniguados.
Temer não é um “monarca” do século XVIII que pode tudo. A velha ordem está sendo questionada em todos os seus termos. Ele não pode favorecer descaradamente seus “amigos” ou companheiros de rapinagem. Esse é um tipo de solidariedade inadmissível no atual contexto histórico.
O provecto ditado que diz “aos amigos tudo, aos inimigos a lei” (Vargas) perdeu sentido. O cumprimento de apenas 20% da pena nos crimes de corrupção contraria o espírito do tempo atual (Zeitgeist). Pior é que o novo decreto não fixava o limite da pena total (que sempre foi de 12 anos).
A sociedade está muito mais intolerante com a corrupção e com os corruptos. Essa é a nova ordem, que está sendo construída. Os arcaicos “corcundas” não estão entendendo a mudança.
Tudo que a sociedade hoje postula, além de eventual prisão, é a recuperação do dinheiro surrupiado do poder público. A promoção de 100% de perdão para as multas não é aceita nem sequer pelos mais ingênuos.
sífu… he he!
É vergonhoso. Sem mais porque não há o que dizer sobre tamanho despropósito.