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Acervo - Blog Luiz Flávio Gomes

Carta aberta a Jair Bolsonaro

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Senhor Presidente,

Todos os países governados e dominados pelos setores mafiosos das elites do poder (máfias das propinas, máfias dos privilégios), sejam eles de esquerda, de centro ou de direita, ostentam, em diferentes graus, as seguintes características:

 

  1. Corrupção sistêmica e endêmica (o Brasil tem a vergonhosa posição 96 na Transparência Internacional); 2. Elevadíssima concentração de renda e desigualdades abissais (é o 9º país mais desigual do planeta); 3. Privilégios perversos exercidos pelas elites dirigentes às custas do restante da sociedade (renúncias fiscais de mais de 400 bilhões de reais anuais, muitas injustificadas);

 

  1. Estado nitidamente ineficiente (posição 79 no IDH); 5. Capitalismo de laços ou de compadrio (que asfixia a concorrência tanto no plano interno como a decorrente das cadeias globais); 6. Baixo crescimento econômico (média anual de 1,5% depois dos anos 80); 7. Pouco investimento no país por falta de confiança;

 

  1. Ausência de instituições que estimulem a iniciativa privada; 9. Desequilíbrio nas contas públicas (139 bilhões de déficit para 2019); 10. Endividamento patológico, de quase 80% do PIB (isso gera gastos exorbitantes com juros, mais de 400 bilhões por ano);

 

  1. País burocratizado; 12. Nenhum estímulo para novos empreendimentos; 13. Juros correntes na praça estratosféricos (51,6% anual para famílias e 20,3% para empresas – Folha 28/12/18); 14. Baixa produtividade (lanterna no ranking da FGV/Globo); 15. Justiça emperrada (mais de 120 milhões de processos no estoque); 16. Insegurança jurídica;

 

  1. Excesso e confusa tributação (excesso pelo que se entrega à população); 18. Péssimo ambiente para negócios; 19. Desemprego elevado (mais de 12 milhões de pessoas); 20. Pequena inserção internacional do país;

 

  1. Marginalização tecnológica e baixo investimento em inovação; 22. Opressão e violência difusa; 23. Má educação e total desprestígio dos professores (notas baixas no ranking Pisa); 24. Insegurança pública e menosprezo ao policial; 25. Falta de democracia eletiva limpa; 26. Ausência ou ineficácia das liberdades universais;

 

  1. Serviço público de péssima qualidade (saúde, transporte etc.); 28. Falta de igualdade de oportunidades; 29. Riscos na proteção à propriedade privada; 30. Repressão descontrolada, que gera alta letalidade inclusive de policiais (falta de controle da lei e da ordem);

 

  1. Falta de direitos políticos e de uma profunda reforma política; 32. Instituições extrativistas (excludentes, espoliatórias); 33. Políticas de extermínio dos consumidores, que leva à falência a indústria de produção e o comércio assim como à baixa arrecadação de impostos e 34. Falta de justiça social.

Releia a lista e verifique quantos dos 34 itens mencionados estão presentes no Brasil. Praticamente todos!

Brasil, Venezuela, Cuba, Nicarágua, Argentina, Coreia do Norte, Serra Leoa, Zimbábue, Egito e tantos outros, embora sejam países com histórias, ideologias e estruturas bem diferentes, formam parte dessa constelação de países que não contam com instituições asseguradoras de um reto desenvolvimento econômico e social orientado para a civilidade e a justiça.

A razão de esses países contarem com baixo crescimento econômico, crises e instabilidades contínuas e forte descrença dos investidores, além de uma massa medonha de pobres e miseráveis (no Brasil hoje temos 56 milhões de pessoas no “vale das lágrimas”), é a seguinte (como afirmam Acemoglu e Robinson, no livro Por que as nações fracassam):

Ou esses países não fizeram revoluções verdadeiramente transformadoras das elites dirigentes corruptas ou privilegiadas ou as fizeram mantendo na essência (não importa a coloração ideológica) a exploração e exclusão da população majoritária.

No Brasil, já se iniciou nossa revolução [para destruir a Nostra Máfia]?

Sérgio Buarque de Holanda, já em 1936 (data da primeira edição do livro Raízes de Brasil), admitia que sim e que a Abolição da escravidão (1888) foi uma data importante para esse processo. Mas se trata, de qualquer modo, de uma revolução “lenta, demorada”, com avanços e retrocessos.

Mas a vitória [final, dessa revolução] “nunca se consumará enquanto não se liquidem, por sua vez, os fundamentos personalistas e, por menos que o pareçam, aristocráticos, onde ainda assenta nossa vida social” (Raízes do Brasil).

São os setores mafiosos das elites do poder (aqueles que têm a grande parte da “velha política” nas suas folhas de pagamentos), precisamente, os mais “personalistas” (individualistas que só pensem neles) e “aristocráticos” (somente eles possuem valor e sabedoria, leia-se, distinção e lucidez, posto que o resto é desprezível).

Sem o aniquilamento desses “fundamentos” personalistas e aristocráticos continuaremos sendo um país “fracassado” em termos econômicos, políticos, jurídicos e sociais (indústria perdendo sua relevância, comércio fechando suas portas e grande parte da população desempregada ou vivendo na miséria).

Qual é o significado deste processo revolucionário em curso? Sérgio Buarque de Holanda (ob. cit.) responde:

“Se o processo revolucionário a que vamos assistindo, e cujas etapas mais importantes foram sugeridas nestas páginas [desde a Abolição, seguramente], tem um significado claro, será este o da dissolução lenta, posto que irrevogável, das sobrevivências arcaicas, que o nosso estatuto de país independente [Império, República, ditadura, democracia formal e populista] até hoje não conseguiu extirpar”.

Em suma, precisamos de uma revolução civilizatória que derrube “a velha ordem colonial e patriarcal”. Sérgio Buarque foi preciso nesse sentido:

“Em palavras mais precisas, somente através de um processo semelhante [de um processo revolucionário que dissolva as sobrevivências arcaicas] teremos finalmente revogada a velha ordem colonial e patriarcal, com todas as consequências morais, sociais e políticas que ela acarretou e continua a acarretar”.

Como vamos aniquilar essa velha ordem colonial e patriarcal? Por meio de quatro frentes civilizatórias (da Justiça, educacional e cultural, da política e do capitalismo de laços), que cuidaremos em outro artigo.

Como dizia Roberto Campos, “o capitalismo não fracassou na América Latina, apenas não deu o ar da graça”. Não é hora de mostrar fraqueza diante dos grupos mafiosos potentes. É hora de aprofundar com velocidade nossa revolução civilizatória! É por isso que lutarei no Parlamento brasileiro a partir de 1/2/19.

 

Comentários

  1. Rogério Vergueiro disse:

    Prezado Professor,

    Seria mais produtivo que usasse uma linguagem mais coloquial, uma vez que o presidente da República é pessoa limitada na interpretação de textos, assim como em se expressar, “tóquei”?
    Na condição de seu eleitor, apenas peço que não me decepcione, lute não só pela ética na política, mas com o mesmo vigor contra a barbárie do Estado que se anuncia. Boa sorte.

  2. Sebastiao disse:

    Parabens professor. Por isso e para isto teve. Meu voto.. Confio em seus propositos e esperamos que defenda com afico esta ideia.

  3. LUIZ disse:

    O PROFESSOR FOI CIRÚRGICO !!!

  4. Lilia Spindula disse:

    Eu acredito no Prof Luiz Flávio. Acompanho através da internet sua luta por um Brasil melhor

  5. Valdemir Barbosa Francisco disse:

    Parabéns professor,eu leio suas matérias, esse é o caminho certo, o Brasil tem que sair dessa vergonha, tem que tomar o caminho civilização honesta, ética e moral. obrigado

  6. Conceição Cinti disse:

    Diagnóstico perfeito. Existe trabalho em todas as frentes. Muitos “marinheiros de primeira viagem” torna tudo mais complexo. Mas é preciso se posicionar. Parabéns. Avante!

  7. Rogelio Barba disse:

    Muito legal, mui gosotoso su rfleçao

  8. Durvaldo disse:

    Concordo com o Professor. Todos temos que contribuir para a mudança do nosso País. Eliminando a pobreza, o comunismo, a ineficiência, melhorando a educação, a saúde e buscando maior competitividade frente ao mundo. O Brasil já mostrou sua força antes e vai mostra-la novamente. Com o exemplo de um ótimo governo que teremos a ajuda e boa vontade de todos.

  9. Sérgio Pires disse:

    Prof. Flávio Gomes, otimo texro contextual do problema histórico referente a miséria política, social e intelectual que infelizmente norteia nosso país desde seu descobrimento. Espero que a equipe econômica consiga fazer as mudanças necessárias, mesmo levando em conta a idiotizacao a que foram submetidas os estudantes universitários, a imbecilizacao da grande massa analfabeta funcional via rede globo e outros meios que via ideológica destruíram a estrutura familiar no nosso país. ESPERO que alguém da equipe do presidente Bolsonaro leia sua matéria e realmente a entenda na sua profundidade. Um forte abraço! Sérgio Pires

  10. João Pinhal disse:

    Dr Prof Luiz Flavio, contamos muito com sua capacidade e integridade, não desista de ajudar o governo, estaremos juntos.
    Parabéns

  11. Ricardo Souza disse:

    Parabéns!
    É isso que espero do Deputado.

  12. Roseni do Carmo Barbosa disse:

    Apoio e concordo com todos os dizeres. Estou como a maioria da população, cansada de tanta falta de vergonha na cara desses políticos que assumem o Poder com a missão de trabalhar em prol da população, em prol do país, porém na prática trabalham em prol de si mesmos, transformando o país em um lamaçal de corrupção, de desigualdades sociais. É vergonhoso!

  13. Alexansre disse:

    Parabéns Professor, e agora Deputado! Faço votos de sucesso nessa trajetória que se inicia para a construção de um país melhor. Estamos e contamos contigo!

  14. Ney Freitas disse:

    Muito bom professor!

    Aprendo muito com o teor rico e reflexivo dos seus artigos.

    Obrigado! e Parabéns!

  15. Wanderley Rosendo disse:

    Imagino que está carta deva ser um discurso enfático do Professor no plenário, com algumas alterações, sendo mais clara e objetiva.
    Não esqueçamos que existem deputados que nem sabem o que estão a fazer no parlamento ou, fazem para benefício próprio.

  16. Antonio Roberto Malfatti disse:

    Gostaria de ver o nobre Deputado, Professor, manifestar-se sobre o assunto a que o link a seguir leva, pois sou contra privilégios religiosos em escolas, sejam elas públicas ou particulares:
    https://naya773.jusbrasil.com.br/artigos/661987813/a-guarda-religiosa-nas-instituicoes-de-ensino?utm_campaign=newsletter-daily_20190108_7972&utm_medium=email&utm_source=newsletter

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