
Lula teria sido usufrutuário de uma reforma feita por empreiteiras (OAS, Odebrecht) num sítio em Atibaia. Temer teria recebido muito dinheiro (de JBS, Eldorado Celulose, Rodrimar, Grupo Libra etc.) no esquema do Porto de Santos. Aécio pediu propina para a JBS.
A filha de Fabrício Queiroz, Nathália Queiroz, teve presença atestada no gabinete do então deputado Bolsonaro durante quase dois anos (CBN conseguiu o documento oficial). Ao mesmo tempo trabalhava no Rio de Janeiro, como personal trainer.
Fenômenos como esses, sempre que comprovados dentro do Estado de Direito, possuem em comum uma lacra histórica e cultural chamada patrimonialismo (apropriação do recurso ou do cargo ou do poder público como se fosse privado). A chaga envolve agentes públicos e agentes do mercado. Não é verdade que a corrupção seja obra exclusiva do Estado e dos seus funcionários.
Muitos eleitores, em 2018, deixaram claro que estão fartos de tudo isso. Compete ao político do século 21 “mostrar capacidade de inventar um relato exemplar, paradigmático, isto é, tem que ser um exemplo de vida, pois constitui seu dever parir com sua biografia a imagem de um ser honesto e de uma vivência confiável” (Javier Gomá, Ejemplaridad pública).
Há milhões de anos os seres humanos possuem um fio condutor comum que permitiu o progresso da humanidade: a confiança. Nossa vida seria um inferno se não tivéssemos confiança em mais nada (nas pessoas, nas relações, nos créditos e empréstimos, nas autoridades, nas mídias, nos livros etc.).
Nathália, pelo que informam, ganhava dinheiro em Brasília e trabalhava no Rio ao mesmo tempo, nos mesmos dias e nas mesmas horas. Leia-se: ou não trabalhava no Rio ou não trabalhava em Brasília.
O milagre e proeza que a humanidade consegue (antes da era da pós-verdade isso era mais fácil) consiste em fazer com que milhões de pessoas acreditem numa mesma coisa (numa religião, na democracia liberal, no capitalismo competitivo, nas revoluções, num político etc.). Ocorre que essa confiança, embora multitudinária, se esvai com uma facilidade incrível. Quem, nos dias atuais, acredita em João de Deus?
O patrimonialismo (se apropriar de dinheiro ou do cargo ou do poder público como se fosse privado) constitui um dos “demônios pérfidos” da velha ordem (colonialista, patriarcalista, contrarreformista, patrimonialista, escravagista e extrativista). Sua origem está no “homem cordial”, que é uma das alegorias mais enigmáticas e de mais bela inteligência na obra Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda.
A maior confiança na política é inspirada “por aquele que proponha à opinião pública uma narração autobiográfica mais esperançosa e convincente. A política narrativa dos nossos dias parece menos uma questão de coisas (planos, programas, projetos) e mais de pessoas atuando no teatro finito da cidade, do Estado ou do País, ou seja, é menos uma questão de res pública (coisa pública) e mais uma expressão do dramatis personae (do drama, da história de vida e do compromisso pessoal de cada um) (Javier Gomá, Ejemplaridad pública). É nisso que as pessoas confiam mais.
O Congresso em Foco afirma que Nathália apagou sua conta no Instagram, onde postava fotos e vídeos com seus alunos – entre eles atrizes famosas – em praias e academias. Nunca teve uma falta sem justificativa em Brasília e nunca tirou licença ou férias.
Por detrás de todas as crenças multitudinárias existe sempre uma notável demonstração coletiva de fé; há uma presunção de que essa coisa ou essa pessoa admirada atue de maneira honesta. Quando se trata da tarefa de representar os interesses de milhões de pessoas, as exigências e expectativas são maiores ainda.
A corrupção, os privilégios perversos, o patrimonialismo, a roubalheira, seja estatal ou corporativa ou empresarial, assim como tantos outros vícios da vida pública, possuem força suficiente para transformarem em pó todas as pessoas ou empresas que exploram o poder público (o dinheiro, o poder, o cargo) para benefício próprio (ver Willam Davies, Veja 26/12/18).
Gerir a coisa pública como se fosse bem particular ou dela se apropriar ou aproveitar bandidamente para o enriquecimento privado é dar um salto triplo mortal na confiança que depositam em você.
Quem faz isso, pouco importando sua ideologia de esquerda, centro ou de direita, se torna um gangster aos olhos da população. Um esqueleto de ar (diz Faoro). Talvez um “demônio pérfido” incapacitado de redenção.
parabéns……………parece muito difícil quase impossível encontrar alguém incorruptível……
Rymundo Faoro, Sergio Buqrque de Holanda e Gilberto Freyre são, na visão de representantes do atual quadro político executivo nacional, responsáveis pela disseminação do indefinível “marxismo cultural”.
Não vamos longe com gente assim!
Parabéns professor LFG, só pedimos que não faça do seu mandato uma profissão e sim um sacerdócio, com objetivos claros e honesto no dever de defender os menos favorecidos honesto s neste país. Obrigado que Deus abençoe nesta jornada. Abraços fraternos.
Na minha caminhada de vida, sigo sempre confiante de que poderemos sim, elevar os nossos espíritos , no sentido de nos tornamos seres humanos melhores .
Parabéns professor . Você é mais uma semente, que por certo , dará muitos frutos.
Por que o professor não menciona a Elisângela Barbiere…? o assessoria em geral do Ceciliano que movimentou 50 milhões nos últimos 8 anos…?