
O sistema político-empresarial corrupto (sistema pec) sempre produziu no Brasil um covil imenso e categorizado de ladrões do dinheiro público (ver Manuel da Costa, provável autor do livro Arte de furtar, escrito no século XVII).
O governo Temer (que é continuação do sistema), como não poderia ser diferente, está repleto desses gatunos (como é público e notório). A impunidade deles começa com o foro privilegiado no STF (que é um portal de impunidade, em virtude da lentidão das suas investigações e dos seus processos).
É neste contexto de impunidade das oligarquias e de guerra contra a LJ (por meio da operação Mela-Jato) que Temer disse: “nenhum ministro citado nas delações da Lava Jato, incluindo as da Odebrecht, será afastado; isso só ocorrerá se ele for denunciado (pelo PGR – Procurador Geral da República); será exonerado só se o STF receber a denúncia”.
Completou afirmando que sua intenção não é blindar ninguém. Trata-se de uma mentira descabelada. Fala-se uma coisa, que na realidade é exatamente o contrário. O que Temer fez foi reforçar a vergonhosa blindagem do foro privilegiado.
Pelo que já se sabe, cinco dos seus ministros (amigos) estão delatados na Odebrecht: Serra, Moreira Franco, Padilha, Kassab e Picciani. Todos figuram como estrelas (cadentes) no filme odebrechtiano. E todos, doravante, estão “nas mãos” do PGR.
Apesar de acusados de terem recebido propinas do departamento respectivo da Odebrecht, eles passam, agora, a usufruir de um privilégio dobrado. Temer criou a figura do delatado ou indiciado premiado (com blindagem dupla). O delatado que já tem foro “merece” prêmio (não exoneração).
A regra pseudo-ética de Temer só vale para a Lava Jato. Há ministro (do seu governo) já denunciado no STF. Deveria ser exonerado, mas não será. Não sendo caso da LJ, segue a bandalheira antiga já institucionalizada: o ministro só cai depois da condenação final.
Temer fez um jogo de palavras e ações embromadoras. Parece uma medida moralizadora (contra a corrupção), na verdade, é pura enganação. Tudo faz parte da operação Mela-Jato. Está oficializada a dupla blindagem dos acusados de rapinagem do dinheiro público.
O primeiro truque é dar o foro privilegiado aos amigos (1ª blindagem). E o 2º truque? Consiste em fixar a regra de que os amigos encrencados na LJ só vão ser afastados se denunciados. Isso é reforço da blindagem (ou seja, uma blindagem redundante). Por quê?
Pelo seguinte: pelo andamento normal da Justiça as denúncias nos casos de foro privilegiado demoram muito. Temer fica no governo (?) somente mais uns 660 dias.
O tempo das investigações determinadas pelo STF (como essas que decorrerão das delações da Odebrecht) e o da denúncia do PGR está girando, em média, em torno de 712 dias (segundo a FGV – ver Extra – Globo.com, 23/3/15). Na melhor das hipóteses, 14 meses (Folha, 14/2/17).
Depois de oferecida a denúncia pelo PGR, o STF está demorando (escandalosamente) 617 dias para recebê-la, em média (informação do ministro Barroso). O STF, nesse particular, é 90 vezes mais lento que a 1ª instância.
Em outro levantamento feito pela FGV, a pedido do Valor Econômico (Carolina Oms, 11/4/16), descobriu-se o seguinte: O STF demora 662 dias (média dos últimos dez anos) para receber uma denúncia. Para julgar os casos de foro privilegiado o STF demora 945 dias.
Teori Zavascki, em 19/12/16, publicou um balanço das investigações da LJ no STF. Disse que seu trabalho estava em dia e que a demora é da PF (investigações) e do MPF (denúncias).
O Brasil tem uma das Justiças mais caras do mundo e o foro privilegiado no STF é um dos mais lentos do mundo. Temos que acabar com esse foro privilegiado nos tribunais o mais rápido possível. Mas sem mobilização popular nada vai mudar. Cidadania vigilante!
Assista Também ao vídeo: TIRA DÚVIDAS… Temer blinda seus ministros acusados de corrupção.
Como nós brasileiros vamos aceitar tudo isso. Estar na hora professor de chamar todos mundo para as ruas. Uma mobilização geral. em todo país. Como podemos fazer isso.
Professor ir às ruas sim, mas acredito que o povo deveria se manifestar nas sessões das Câmaras Municipais; nas Assembleias Estaduais; no Congresso e mais ainda, na casa do parlamentar. Aí sim acredito que começaríamos mudar alguma coisa. Sempre tem aquele que joga uma pedra, um molotov, socos e pontapés.